PETRÓPOLIS

A História de Petrópolis, é cheia de encantos, surpresas e atrativos mas também é permeada de sofrimentos e dificuldades, principalmente no que se refere à colonização germânica, que será a nossa abordagem aqui.

Do sonho inicial, passando pela dor e decepção que foram transformadas em atitudes de superação. A coragem e o desejo de fazer valer os sonhos sonhados do outro lado do oceano antes da grande viagem, a travessia longa e dolorosa,  a concretização desse projeto de vida às custas de muito trabalho, suor, submissão, dedicação, disciplina, fé, religiosidade e empenho. Fazer da nova Terra, sua nova Pátria. Construir, edificar, educar, ser exemplo, prosperar.

Petrópolis hoje estampa em suas Ruas, Praças e Quarteirões, muitos nomes desses desbravadores que além do suor, também legaram seus nomes. A planta urbanística do Major de Engenheiros Júlio Frederico Koeler, faz dessa, a primeira cidade planejada, tomando os rios como ponto de partida, ladeados por duas Avenidas e nestas, o casario de frente para os Rios, traçando belíssimas paisagens, como um bordado único realizado delicadamente e com capricho. Em algumas ruas, cada proprietário tem que ter sua própria ponte pois precisa atravessar o rio para chegar em sua casa.  E quem caminhar  pelas ruas de Petrópolis não deixará de perceber esses detalhes e o legado da colonização germânica.

MORRE JOSÉ REUTHER O PROFESSOR PARALÍTICO DA MOSELLA

A morte, a 21 do corrente, de José Reuther, teve larga e dolorosa repercussão.....

bild 06JOSÉ REUTHER, O PROFESSOR PARALÍTICO DA MOSELA
MORRE JOSÉ REUTHER – O PROFESSOR PARALÍTICO DA MOSELLA

A morte, a 21 do corrente, de José Reuther, teve larga e dolorosa repercussão, tão conhecido se tornara, na cidade, o nome do “aleijadinho da Mosella”.
Acometido de uma enfermidade que lhe paralisara os movimentos Reuther nunca teve uma palavra de revolta contra o cruel destino. Resignado, jamais deixou escapar qualquer blasfêmia em face que suas condições lhe impunham e na qual, por certo, encontraria amparo dos corações generosos.
O inditoso conterrâneo procurou trabalhar e se tornou sobremodo útil. Inteligente, estudioso, aproveitou muito as lições de seus mestres e, então, também se fez professor, ensinando as primeiras letras a um sem números de crianças que sucessivamente passaram pelos pobres bancos de sua escola. Numa cama, onde se lhe prolongavam os sofrimentos sem que ele se queixasse do infortúnio dirigia os trabalho todos os dias.
Um dia, na ânsia de tornar mais eficiente e menos dispendicioso o ensino a seus pequenos , Reuther pleiteou ao governo do município um auxilio à sua escola “Escola Tudo pela Pátria”. Nessa ocasião como prefeito o sr. Carlos Magalhães Bastos e como diretor de Educação, o Dr. Nereu Pestana Rangel, e por louvável gesto de benemerência, de humanidade e de justiça, da parte destes distintos cavalheiros, o paupérrimo colégio obteve uma subvenção mensal de 200$000, concedida pelo então prefeito Cardoso Miranda e mantida até agora.
José Reuther, que contava com 49 anos e vivia também da venda de imóveis e objetos, do que se encarregava por meio de pequenos anúncios nos jornais dos quais ele próprio fazia o preço, era solteiro, fazendo-se sempre cercar de seus alunos e amiguinho. Porque era um bom, um virtuoso, um cidadão que merecia todos não só piedade, mas também acatamento.
“Pequena Illustração” tinha nele grande admirador que fez questão de assinar o semanário, ao qual de vez em quando nos dava noticia de sua escola. Em cada aniversario do jornal era um dos primeiros a nos felicitar,e quando já estranhávamos não haver surgido um cartão seu a proposto de nossa grande edição, surpreendeu-nos a noticia de seu passamento-epílogo de uma existencia dobrada ao peso de dores físicas e morais, porem ao mesmo tempo, a lhe iluminar a alma, bela e nobre exemplo de Patriotismo, humildade, trabalho, perseverança e sobretudo, de extrema resignação.

Fonte: Jornal – “Pequena Illustração” de 27 de setembro de 1942

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